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sábado, 30 de outubro de 2010

ESCOLHAS


  Lázaro
  Ramos



 Sílvio Guindane está nos filmes nacionais que eu gosto. Poderia começar esta coluna também dizendo: gosto de todos os filmes em que o Sílvio Guindane está. Mas preferi começar escrevendo o nome dele, pois há algo de injusto que sempre percebo nas matérias em que são citados os atores que estão bastante presentes nas nossas telas. Entre os Seltons, Riccas, Nachtergaeles, Ramos, Bauraquis, Mouras, Camilos e tantos outros atores, sempre sinto falta deste ator que me chama atenção a cada trabalho que faz.

Sílvio tem uma precisão na sua interpretação que eu admiro. Muitas vezes, seus personagens têm um olhar generoso sobre a vida ou uma vontade de vencer que faz com que todos nós nos aproximemos deles. Talvez seja isso. Sílvio esta tão próximo de nós que esquecemos de citá-lo. Não esqueçamos mais. Adoro suas escolhas, Silvio.

Nesta temporada tive o prazer de ver dois projetos com o Silvinho que muito dizem sobre escolhas acertadas e novas possibilidades para o nosso cinema “Bróder” e “5x Favela, agora por nós mesmos”.

“Bróder” do competente diretor Jeferson De, esteve em Berlim e arrebatou vários prêmios em Gramado. Logo logo vocês poderão lotar as salas de cinema para conferir esta história de três amigos unidos pelo local de origem e separado pelas escolhas/possibilidades que a vida lhes ofereceu. Com uma direção apurada e elenco afinado, para mim “Bróder”, por ter um olhar de alguém que percebeu a periferia como se fosse uma tatuagem no seu corpo se torna um filme fundamental.

Quando Jeferson me mostrou o filme e me pediu uma opinião sobre qual deveria ser o final, pois ele tinha filmado dois, eu estava tão encantado com tudo que vi, que nem sei se o ajudei na sua escolha, tudo o que queria dizer era: Até a figuração é precisa: cada um que aparece na tela conta uma pequena história. Que bom você ter feito com que cada um que aparece tenha uma identidade bem marcada e não seja apenas um “sem número” de pessoas, que, por vezes, aparece em filmes que se passam na periferia e são apenas um número e não pessoas que amam, sofrem e desejam como todos somos. E isso foi só o que disse sobre a figuração!
E, mas uma vez Sílvio esta lá. Uma escolha das mais acertadas.

Outra bela escolha também é o “5x Favela, agora por nós mesmos”. Uma escolha do Sílvio, uma importante escolha do Cacá Diegues e Renata Magalhães em produzir as histórias desta turma que veio para ficar e espero que seja a sua escolha também na próxima ida ao cinema. Esses cineastas que participam do filme para mim não são nenhuma surpresa. Acho que o que faltava era um investimento e um passo além no que diz respeito às escolhas de quais filmes produzir. Trabalho há cinco anos com alguns profissionais do audiovisual saídos da CUFA – Central Única das Favelas e desde sempre eles tem sido uma peça fundamental no programa que apresento no Canal Brasil, poderia falar horas sobre isso, mas escolho contar uma história simbólica: Há três anos durante a escolha das pautas decidimos que além de participar da captação das imagens, daríamos a eles a tarefa de responder a seguinte pergunta: Se vocês tiverem 25 minutos na televisão, quais programas gostariam de fazer?

Várias idéias apareceram: Surf, culinária, dança… No meio das propostas, a que acabou sendo realizada foi uma que veio com esta frase: Por que é que sempre alguém de fora da comunidade vem aqui pra falar da gente? Nós abrimos nossas casas, falamos das nossas vidas… Por que é que nós não fazemos o contrario? Por que não fazer um programa sobre como é a vida de quem é rico, usando as mesmas técnicas que são usadas para fazer o que fazem na favela? E fizeram. O programa se chamou “Dois fins de semana na Zona Sul”. Foi um programa muito interessante e um aprendizado para todos nós sobre o que significa ver alguém mais de perto. Foi um passo fundamental para nossa história. Até libertador.

No filme 5x Favela, ao assistir percebi um exercício do olhar cinematográfico riquíssimo. A diversidade e a qualidade que contem nessas cinco histórias nos fazem viajar. Torcemos para que tudo dê certo na história dirigida por Manaíra Carneiro e Wagner Novais; sorrimos e aprendemos com a de Cacau Amaral e Rodrigo Felha; a garganta fica apertada com o que nos conta o Luciano Vidigal; compreendemos códigos pelos olhos de Cadu Barcellos e queremos participar dessa turma na parte final dirigida por Luciana Bezerra. Aliás além de bons diretores, o elenco é afiadíssimo, todos estão muito bem.

Que bom Cacá ter escolhido produzi-los, que bom essa turma ter escolhido o cinema para se expressar, que bom o público estar escolhendo assistir ao filme.

Mais um passo foi dado. Torço agora para que os mecanismos de patrocínio escolham também os projetos propostos por essa turma. Eles também sabem administrar verbas e produzir arte da melhor qualidade sem intermediários. Um amigo certa vez me disse: você já notou que foram feitos vários filmes sobre pessoas que estão à margem, mas, estes que estão a margem não conseguem patrocínio quando são os proponentes?

Refleti sobre isso e vejo que a Luz Mágica Produções Audiovisuais enquanto produtora abriu uma porta importantíssima. Sei da batalha de anos que Cacá teve para conseguir viabilizar o filme. Que vitória! Parabéns Cacá, Renata, toda a equipe e atores do 5x Favela e só para encerrar como comecei. Parabéns Sílvio Guindane!